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Um Pouco de História

Pode dizer-se que a Geologia e a Arqueologia portuguesas surgiram com a criação da Comissão Geológica do Reino, em 1857, um dos primeiros organismos do género (“Serviços Geológicos Nacionais”) a ser criado na Europa e no Mundo.

Essa Comissão foi chefiada, por Carlos Ribeiro Pereira da Costa e, em 1859, ficou instalada, por decisão oficial, em edifício próprio no antigo Convento de Jesus, ou seja, no local hoje ocupado pelo Museu Geológico.

Embora, posteriormente, tenha mudado várias vezes de nome, foi a partir de aqui que se deu sequência aos estudos geológicos do País, os quais atingiram um nível e um desenvolvimento notáveis, mesmo internacionalmente.

Além dos dois cientistas, atrás citados, trabalharam para aquela Comissão alguns dos maiores vultos da Geologia portuguesa daquela época: Nery DelgadoJ. Berkeley CotterAlfredo Bensaúde, F. Paula e Oliveira, Wenceslau de Lima e, a partir de 1878, Paul Choffat, que foi incumbido de estudar os terrenos mesozóicos.

Carlos Ribeiro, que tinha chefiado a Comissão, morre em 1882, tendo sido substituído por Nery Delgado até 1908, data da sua morte.

Durante este período, realiza-se uma obra notável, tendo-se publicado a Carta Geológica do País à escala de 1:500 000, uma das primeiras do Mundo (edições de 1876, 1878 e 1899) e vários estudos monográficos sobre o Paleozóico e o Mesozóico, que ainda hoje são muito utilizados.

Com a morte de Nery Delgado e Paul Choffat, entra-se num período de decadência, o qual só irá ser superado, muitos anos mais tarde, com os meios postos à disposição pelos sucessivos Planos de Fomento. Entretanto, em 13 de Junho de 1918 sai o Decreto nº. 4641 que cria os Serviços Geológicos de Portugal, onde se estipula que as suas atribuições seriam, entre outras, fazer a cartografia geológica do País, realizar estudos de geologia pura e aplicada aos campos mineiro, hidrogeológico, construção civil e agrícola, estudos arqueológicos relacionados com os trabalhos de geologia, etc.

Da actividade desenvolvida por este prestigioso organismo, onde trabalharam personalidades como Carlos Freire de Andrade, Pereira de SousaGeorges Zbyszewski e tantos outros, posteriormente continuada pelo Instituto Geológico e Mineiro, podem destacar-se, entre outras actividades:

realização de estudos e levantamentos geológicos e publicação da respectiva Cartografia, que cobre cerca de 75% do território, além de mais cerca de 15% de levantamentos ainda não publicados.
realização de estudos e levantamentos hidrogeológicos e publicação da respectiva cartografia, milhares de análises de pontos de água e resolução de problemas de abastecimento às populações com águas subterrâneas e da sua vulnerabilidade à poluição.
execução de estudos de prospecção, caracterização e cartografia dos recursos minerais (metálicos e não metálicos) e apoio às empresas da indústria extractiva.
execução de estudos e cartografia da plataforma continental portuguesa, e dos seus recursos, trabalhos de paleoceanografia geológica e de geologia costeira.
realização de estudos de caracterização e mitigação dos riscos geológicos (sísmicos, deslizamento de terras), escolha de sítios para construção e para deposição de substâncias poluentes.
caracterização do património geológico e sua divulgação.
tratamento e disponibilização da informação geológica, através de meios informáticos e outros.
desenvolvimento do arquivo de dados de subsuperfície (sondagens, cortes geológicos, relatórios).
desenvolvimento da Biblioteca geológica, a mais completa do país nas Geociências e do Arquivo Histórico, ambos abertos à consulta pública.