Seminário "Contribuições da Hidrogeofísica e da Ecohidrologia na Modelação das Águas Subterrâneas"

Este evento decorreu a 9 de Novembro de 2015, no Auditório Carlos Ribeiro do LNEG, no Pólo de Alfragide


Neste Seminário foram apresentados e discutidos os resultados de projectos de investigação, envolvendo o LNEG e instituições parceiras, sobre a temática das "Contribuições da Hidrogeofísica e da Ecohidrologia na Modelação das Águas Subterrâneas”.
 

Programa

14h30 - 14h50

Descargas de água subterrânea na plataforma algarvia: o caso do Sistema Aquífero Albufeira-Ribeira de Quarteira (projecto FREEZE)
Oradora: Judite Fernandes (LNEG)

15h00 - 15h20

Contaminação nas instalações da antiga fábrica da SPEL (Seixal): contributos da hidrogeofísica e da geoquímica para a sua caracterização (projecto CRUDE)
Oradora: Maria João Batista (LNEG)

15h30 – 15h50

Estratégias hídricas de Quercus ilex e Quercus suber em ambiente mediterrânico
Oradora: Teresa Soares David (INIAV)

16h00 – 16h20

Integração da hidrogeofísica e teledetecção na modelação dos fluxos hídricos subterrâneos
Orador: Alain Francés (LNEG)

Cada apresentação será seguida de 10 minutos para perguntas.

 

Resumo das apresentações

Descargas de água subterrânea na plataforma algarvia: o caso do Sistema Aquífero Albufeira-Ribeira de Quarteira (projecto FREEZE)

O sistema aquífero costeiro de Albufeira-Ribeira de Quarteira foi alvo de investigação no âmbito do projecto FREEZE para comprovar a existência de descargas submarinas de água doce na plataforma marinha. Foi aplicada uma abordagem multidisciplinar recorrendo à geofísica, oceanografia, geologia, hidrogeologia e detecção remota, que permitiu identificar diversas descargas de água doce na plataforma algarvia até 5,6km da linha de costa. A percepção de que os sistemas aquíferos não terminam na linha de costa projecta-nos para novos desafios na sua gestão, nomeadamente na redefinição do reservatório, nos caudais susceptíveis de serem explorados no onshore, nas reservas do offshore e na manutenção de ecossistemas costeiros e marinhos dependentes dos caudais e do quimismo das descargas costeira e submarina.

Contaminação nas instalações da antiga fábrica da SPEL (Seixal): contributos da hidrogeofísica e da geoquímica para a sua caracterização (projecto CRUDE)

O objectivo do projecto CRUDE foi a avaliação da extensão e profundidade da contaminação de solos e águas subterrâneas por compostos poli-nitroaromáticos (P-NAC) nas instalações da antiga fábrica da SPEL (Seixal). Aplicaram-se métodos geofísicos, nomeadamente eléctricos (dispositivo dipolo-dipolo) e electromagnéticos no domínio de tempo (TDEM) e no domínio da frequência (FDEM), para caracterizar e delimitar tridimensionalmente os locais contaminados. Validou-se a prospecção geofísica com a execução e amostragem de 2 sondagens. O transporte de P-NAC nos solos - zona vadosa - matriz do aquífero freático é condicionado por propriedades físicas como a porosidade e a permeabilidade das formações do Plio-quaternário no Seixal enquanto outros processos químicos são secundários. Identificou-se actividade bioquímica, relacionada com a degradação de P-NAC, na água subterrânea de um furo que capta até à profundidade de 70 m.

Estratégias hídricas de Quercus ilex e Quercus suber em ambiente mediterrânico

As restrições hídricas são consideradas o principal factor limitante da produtividade, sobrevivência e biodiversidade dos ecossistemas vegetais a nível global. A alteração nos padrões da precipitação, o aumento da temperatura e da frequência de eventos extremos (nomeadamente seca), devidos às alterações climáticas, têm resultado em sintomas de declínio e aumento de mortalidade arbórea, em particular nos montados de sobro e azinho. A gestão florestal pode, em certa medida, tentar mitigar alguns desses impactos negativos. Para isso é fundamental conhecer o comportamento funcional destes ecossistemas e as características evolutivas desenvolvidas pelas árvores e vegetação do sob-coberto (estrato herbáceo-arbustivo) para enfrentarem a secura estival, típica do ambiente mediterrânico. Nesta comunicação apresentaremos os resultados da investigação realizada sobre algumas das estratégias adaptativas desenvolvidas por azinheiras e sobreiros, em diferentes condições edafoclimáticas. Uma dessas estratégias passa pela maximização da captação de água através do desenvolvimento de um sistema radicular extensivo e profundante com acesso a água subterrânea, sempre que possível. No verão, quando o solo superficial seca, a captação de água subterrânea é fundamental para a manutenção do bom estado hídrico. Esta estratégia é aliás comum a árvores de ecossistemas áridos e semi-áridos. A colaboração entre equipas multidisciplinares, nacionais e internacionais, em muito contribuiu para a qualidade da informação obtida e para a transferência de conhecimento.

Integração da hidrogeofísica e teledetecção na modelação dos fluxos hídricos subterrâneos

Os modelos de fluxo de água subterrânea permitem simular o comportamento hidrodinâmico dos aquíferos e calcular o seu balanço hídrico. São por isso frequentemente utilizados para prever o impacto de mudanças climáticas, de modificação de uso do solo e de planos de extracção. São baseados em algoritmos e códigos informáticos que foram devidamente testados e validados. No entanto, estes modelos geralmente apresentam um grande grau de incerteza devido à escassez de dados do meio subterrâneo e à dificuldade em estimar spatio-temporalmente os componentes do ciclo hídrico. Para contribuir para a resolução destes aspectos, o presente estudo focou-se nos seguintes dois itens: (i) utilizar os métodos de hidrogeofísica e de teledetecção para adquirir espacialmente os parâmetros do meio subterrâneo e contribuir para a elaboração de modelos conceptuais hidrogeológicos; e (ii) modelar spatio-temporalmente os fluxos subterrâneos e o balanço hídrico à escala da bacia hidrográfica. No primeiro item, além dos métodos geoeléctricos e electromagnéticos, aplicaram-se sondagens de ressonância magnética (SRM), sendo este método o único que é directamente sensível ao ião hidrogénio presente na molécula da água. No segundo item, desenvolveu-se o modelo do solo MARMITES que, acoplado ao modelo de fluxo subterrâneo MODFLOW, permitiu separar os componentes evaporação e transpiração e, para cada um deles, quantificar a contribuição das zonas não saturada e saturada. A metodologia foi aplicada em vários casos de estudo localizados na península ibérica, em diferentes configurações geológicas e hidrogeológicas.
 

Notas biográficas dos oradores

Judite Fernandes

Hidrogeóloga do LNEG com 20 anos de experiência em Hidrogeologia. Concluiu a sua licenciatura em Geologia Económica e Aplicada pela Universidade de Lisboa em 1992. Especializou-se em Sistemas de Informação Geográfica em 1993-1994. Iniciou a sua actividade em Hidrogeologia em 1995 com o Projecto “Definição, Caracterização e Cartografia dos Sistemas Aquíferos de Portugal Continental” na FCUL/INAG. Em 1996 integrou o Departamento de Hidrogeologia do LNEG. Tem sido responsável por Estudos Hidrogeológicos, Consultoria, Pareceres e Auditorias e por Serviços de Assistência Técnica e Tecnológica. Participa e participou em diversos projetos de investigação científica, destacando ERHSA - Estudo dos Recursos Hídricos Subterrâneos do Alentejo (1997-2001), REABILITA - Desenvolvimento e Aplicação de Técnicas Mistas Químicas e de Biorremediação na Reabilitação de Aquíferos (2000-2004), IMAGES - Identification and Management of strategic Groundwater bodies for Emergency Situations (2005-2008), Carta Geológica e Geoambiental da Beira – Moçambique à escala 1/50000 (2008-2011), CRUDE - Delineating new sampling, analysing and modelling strategies for assessing the contamination of soil and groundwater by organic compounds (2009-2011) e FREEZE - Submarine FREshwater dischargEs: characteriZation and Evaluation study on their impact on the Algarve coastal ecosystem (2010-2013). É autora e co-autora de diversas publicações.

E-mail: judite.fernandes@lneg.pt

Website: www.lneg.pt/colaboradores/judite.fernandes@lneg.pt
 

Maria João de Almeida Farinha Batista

Concluiu a sua licenciatura em Geologia - Ramo Científico na Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra, em 1992. Em 1995 obteve o grau de Mestre em Geoquímica pela Universidade de Aveiro. Em Julho de 2003 obteve o grau de Doutor pela Universidade de Aveiro. No âmbito da sua actividade na área de geoquímica ambiental, cartografia geoquímica e prospecção geoquímica, participou e participa em projectos nacionais financiados pela FCT e prestações de serviço a empresas. Participou e participa em projectos internacionais financiados por programas da EU como: INTERREG IIIA, ESPON 2006 Programme, 5º Programa Quadro de Investigação, 7º Programa Quadro de Investigação e ainda em projectos de investigação em Angola e Moçambique. É autora e co-autora de diversas publicações.

E-mail: mjoao.batista@lneg.pt

Website: www.lneg.pt/colaboradores/mjoao.batista@lneg.pt
 

Teresa Soares David

É Investigadora no Instituto Nacional de Investigação Agrária e Veterinária I.P. e Membro Integrado do Centro de Estudos Florestais do Instituto Superior de Agronomia (ISA/ULisboa). Obteve a licenciatura em Silvicultura, o Mestrado em Produção Vegetal e o Doutoramento em Engenharia Florestal pelo ISA/ULisboa. Tem trabalhado sobretudo na Ecologia de montados de sobro e azinho, com particular ênfase na área da Ecofisiologia e Hidrologia. Coordenou e participou em diversos projectos de investigação nesta área, tendo orientado teses académicas e de bolseiros pós-doc na sua área de competências. É membro da equipa de coordenação do Centro de Competências do Sobreiro e da Cortiça (criado em 29/07/2014 pela Srª Ministra da Agricultura e do Mar). É autora e co-autora de mais de 30 artigos em revista ISI e vários capítulos de livros

E-mail: teresa.david@iniav.pt; teresasdavid@gmail.com

Website: www.iniav.pt/gca/index.php?id=1382
 

Alain Pascal Francés

Concluiu a licenciatura em Ciência da Terra em 1992 pela Universidade Paul Sabatier (Toulouse, França), tendo realizado o último ano na Faculdade de Ciência da Universidade de Lisboa no âmbito do programa Erasmus. Em 1999, integrou o Departamento de Hidrogeologia do LNEG. Em 2008, obteve o Mestrado em Groundwater Assessment and Modelling no ITC (Faculty of Geo-Information, Science and Earth Observation da University of Twente, Países-Baixos). Nesta mesma instituição, defendeu em Julho 2015 o doutoramento sobre “Integration of hydrogeophysics and remote sensing with coupled hydrological models”. Trabalha actualmente no LNEG, no âmbito do projecto PLANAGEO (Plano Nacional de Geologia de Angola), sendo responsável pela cartografia digital.

E-mail: alain.frances.planageo@ext.randstad.pt; frances.alain@gmail.com

Website: www.degois.pt/visualizador/curriculum.jsp?key=1205349272761050

 

 

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