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Portugal apresenta geossítios no encontro IUGS ZUMAIA 2022


Portugal apresenta geossítios no encontro IUGS ZUMAIA 2022
alarmData de Publicação: 24 Outubro, 2022Categoria: Notícias Internacionais


Nos dias 25 a 28 de outubro decorreu em Zumaia, no País Basco, um evento organizado pela União Internacional de Ciências Geológicas (International Union of Geological Sciences, IUGS), onde foram apresentados os primeiros 100 principais geossítios do planeta Terra. Participaram neste encontro, realizado no âmbito do projeto UNESCO – The First 100 IUGS Geological Heritage Sites, https://www.unesco.org/en/iggp/igcp-projects/731, geólogos de mais de 40 países e 10 organizações internacionais. O evento decorreu no Costa Basca Geoparque Mundial da UNESCO, tendo servido igualmente para celebrar o 60º aniversário da IUGS.

Os 100 geossítios foram selecionados por um painel internacional, tendo em conta o seu valor científico excecional e correspondendo a locais chave para a compreensão da história geológica do Planeta. Esta lista testemunha a elevada geodiversidade global, representando ambientes geológicos atuais e antigos, alguns deles com centenas de milhões de anos.

Entre os 100 geossítios, sobressaem as rochas mais antigas, com milhares de milhões de anos, na África do Sul, evidências de vida primitiva em rochas da Austrália e da China, alguns dos melhores exemplos de fósseis de dinossauros no Canadá e os primeiros registos do desenvolvimento de hominídeos na Tanzânia. Outros exemplos são as rochas de origem marinha presentes no cume do Monte Everest e lugares icónicos como o Grand Canyon nos Estados Unidos da América, o glaciar Perito Moreno na Argentina, a caldeira vulcânica da ilha de Santorini na Grécia, ou o relevo residual de Uluru na Austrália.

Neste evento pretendeu-se chamar a atenção para a importância das estratégias de geoconservação, de ampliação do conhecimento geológico e da proteção dos locais onde minerais, rochas, fósseis e formas de relevo são representativos da natureza não viva. A importância destes geossítios foi partilhada pela comunidade científica em todo o mundo, salientando-se também a relevância da geodiversidade enquanto parte fundamental dos serviços ecossistémicos.

Portugal está representado nesta lista inicial com três geossítios, caracterizados por um valor científico excecional: a Jazida de Trilobites gigantes de Canelas, um dos geossítios do Arouca Geoparque Mundial da UNESCO, que testemunha os vestígios da vida nos habitats marinhos com uma idade de cerca de 465 milhões de anos (Ordovícico Médio); a Discordância Angular da Ponta do Telheiro, em Vila do Bispo, onde se observam arenitos do Triássico Superior (220 Ma) depositados sobre xistos e grauvaques deformados do Carbónico (320 Ma); o Vulcão dos Capelinhos, geossítio do Açores Geoparque Mundial da UNESCO que testemunha uma erupção vulcânica submarina de baixa profundidade, muito recente (1957/1958), e a primeira em todo o mundo, com estas características, a ser devidamente documentada e estudada.

Estes três geossítios portugueses foram apresentados neste evento por representantes do Laboratório Nacional de Energia e Geologia, das Universidades do Minho e de Trás-os-Montes e Alto Douro e do Açores Geoparque Mundial UNESCO.