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Tomo 75 (1989)

Tomo 75 (1989)


Tomo 75 (1989)Categoria: Publicações, Comunicações Geológicas, 1980 a 1989

15.90

O preço inclui IVA à taxa legal em vigor.

Descrição

Artigos

1. A Definição Litoestratigráfica do Grupo do Buçaco na Região de Lousã, Arganil e Mortágua (Portugal)
Rui Pena dos Reis ; P. Proença Cunha (12 páginas)

resumo: Definem-se, para as regiões de Lousã, Arganil e Mortágua, o Grupo do Buçaco e as três formações integrantes: Arcoses de Lomba do Alveite, Arenitos de Choisa e Conglomerados de Picadoiro.Os dados bioestratigráficos existentes no Grupo do Buçaco permitem propor uma duração do Albiano médio ao Cretácico superior (Santoniano-Campaniano?).

Estabelece-se e discute-se um modelo de correlação com unidades litoestratigráficas da Orla Ocidental.

2. Evolução do Coberto Florestal em Portugal no Neogénico e no Quaternário
João Pais (6 páginas)

resumo: Apresenta-se uma síntese da evolução do coberto florestal desde o Miocénico ao Holocénico recente, em Portugal. A informação disponível nem sempre está igualmente distribuída no tempo e há jazidas mal datadas mas, mesmo assim, é possível ter uma visão da sucessão de conjuntos vegetacionais desde há, aproximadamente, 24 milhões de anos até à actualidade.No início do Miocénico a vegetação era do tipo tropical a sub-tropical tendo evolucionado lentamente, com fases de recorrência, para tipo temperado quente com estações contrastadas no Tortoniano médio. Até ao Miocénico médio ainda incluía Bombax e Sapotaceae diversas. Com o Pliocénico verifica-se um aumento significativo da humidade. A floresta, de início bastante densa e variada, é rica de essências termófilas. Para o final do Período, o clima deve ter-se degradado e a floresta torna-se aberta denunciado maior secura ambiental. A informação disponível para o Quaternário é bastante escassa e as jazidas, de modo geral, estão mal datadas.

De qualquer modo, verifica-se um nítido empobrecimento da floresta após a glaciação de Gunz. Das espécies termófilas só Myrica ultrapassa o Würm. A partir dos 5000 anos surgem os primeiros indícios de intervenção humana com expansão de Vitis e de herbáceas a par do decréscimo de Pinus e de Quercus.

Parece confirmada a ocorrência de Pinus pinea, P. pinaster, P. halepensis, várias espécies de Quercus, e Celtis. No século XII-XIII as explorações agrícolas com árvores de fruto deviam ser comuns; incluíam a videira, a figueira, a amoreira, a gingeira, a ameixeira, o pessegueiro, a romãzeira, a nogueira e a oliveira.

3. La Dorsale Calcaire Interne Entre les Accidents de l’ oued Martil et de l’ oued Laou (Rif septentrional, Maroc): Évolutions Stratigraphique et Géodynamique au Cours du Jurassique-Crétacé
Khalil El Kadiri ; Assuncion Linares ; Frederico Oloriz (28 páginas)

resumo: As reduzidas séries jurássico-cretácicas da dorsal interna do rift, localizadas entre Jbel Gorguès, a norte, e o Jbel Kelti, a sul, são aqui estudadas em pormenor. Na quase totalidade dos intervalos estratigráficos as datações foram efectuadas com os marcadores cronológicos principais: amonites, radiolários, tintinóides e foraminíferos.A evolução estratigráfica agora reconhecida é, na generalidade, nitidamente distinta das sucessões da vizinha dorsal externa. A dorsal interna revela, além de fácies particulares, a lacuna geral do intervalo Dogger-Oxfordiano-Kimeridgiano pro-parte; o restante Malm encontra-se depositado directamente sobre o Lias, quer sobre o Lias, quer sobre um encrustamento ferruginoso, cobrindo os amonítico-rosso toarcianos quer como enchimento dos paleocarsos (os primeiros desta importância a serem identificado na dorsal calcária) que afectam o Lias médio superior e que, por vezes, põem a descoberto os calcários brancos maciços do Lias inferior. Uma segunda lacuna, afectando, a quase totalidade do cretácico, foi igualmente posta em evidência.

No plano bioestratigráfico assinala-se, pela primeira vez, a recolha de amonites e codonelídeos (género Chitinoidella) de idade titónica na cadeia calcária de rift. Além disso, a presença de amonóides nos níveis com radiolários permitiu atribuí-los ao intervalo Kimeridgiano superior-Titónico inferior. A associação de microfósseis siliciosos agora datada é frequente na Mesogeia e no domínio peripacífico. No plano estratigráfico regional foram individualizadas três unidades:

    1) a unidade de Hafat Ferkenich, para a qual a série estratigráfica é redefinida;
    2) o grupo de Jbel Kelti, novamente proposto e
    3) a unidade de Jbel Tazoute atribuída à dorsal extremo-interna e não como anteriormente à dorsal externa.

No plano geodionâmico, as séries agora estudadas, permitiram interpretar a dorsal interna com um único demi-graben durante o Sinemuriano, encontrando-se a parte basculada orientada para o lado interno. Esta estrutura foi submetida por três vezes a uma instabilidade distensiva, que conduziu à sua fragmentação: Domeriano-Toarciano, Titónico-Berriasiano e Campaniano. Durante os dois intervalos de tempo que separaram estes acontecimentos, importantes episódios de levantamento conduziram o bloco à emersão e carsificação. Repercussões nas restantes unidades internas da cadeia calcária do rift foram inferidas.

4. Le Daim dans le Pléistocène du Portugal
J. L. Cardoso (8 páginas)
resumo: Assinala-se, pela primeira vez, a presença de Gamo, Dama dama (L.) em três jazidas do Maciço Calcário, do Würm superior/final. Estabelecem-se comparações com outras jazidas europeias e apresentam-se a respectiva distribuição geográfica e cronologia.
5. Litoestratigrafia e Modelo Deposicional dos Sedimentos Aluviais do Neogénico Superior da Bacia do Tejo (Tomar- Lavre)
Bernardo Pereira Barbosa ; Rui Pena dos Reis (10 páginas)
resumo: Definem-se e caracterizam-se em termos litoestratigráficos e sedimentológicos, duas unidades que integram uma sequência deposicional aluvial na bacia do Tejo, como resposta a uma rotura tectónica no Neogénico superior.
6. Neogene and Quaternary Reactivation of the Ponsul Fault in Portugal
R. P. Dias ; J.Cabral (26 páginas)

resumo: A falha do Ponsul está situada na Zona Centro-Ibérica do Maciço Hespérico, região centro oriental do território português, prolongando-se para Espanha, com um comprimento total de 120 Km (85 Km em Portugal), e uma orientação geral ENE-WSW. Corresponde a um desligamento esquerdo tardivarisco, reactivado na Orogenia Alpina, limitando a norte a bacia cenozóica Moraleja-Ródão, onde ficaram preservados sedimentos continentais.A reactivação pós-paleozóica da falha é evidenciada por dados geomorfológicos, estratigráficos e estruturais. A movimentação no acidente é testemunhada em contactos por falha, com o soco, a norte, a cavalgar os depósitos cenozóicos, a sul. Nalguns locais foram também encontradas evidências de uma reactivação provável no Quaternário, predominantemente em falha inversa, com um deslocamento vertical acumulado de cerca de 100 metros.

Os dados da microtectónica obtidos pelo estudo de espelhos de falha foram tratados por métodos de computador para a análise dinâmica de planos estriados, diferenciando-se episódios de reactivação compressiva na falha desde o Miocénico superior.

Com base na geometria do acidente e na velocidade média de deslizamento calculada, estimou-se o sismo máximo mais provável que ela pode gerar, de magnitude compreendida entre 6.75 e 7.25, com um intervalo de recorrência de 9000 a 30000 anos, consoante a taxa de movimentação considerada (0.1 mm/ano ou 0.03 mm/ano, respectivamente).

7. Petrogénese das Lavas da Ilha da Madeira
J. Mata ; N. D. MacRae ; C. T. Wu ; José M. U. Munhá (16 páginas)

resumo: Elementos maiores e em traço foram analisados em oitenta e cinco amostras de rochas representativas dos diferentes complexos vulcânicos da Ilha da Madeira.Os resultados indicam que as lavas são compostas por basaltos alcalinos/basanitos e por quantidades subordinadas de termos evolucionados cuja composição se estende até aos mugearitos. As rochas basálticas (s.1.) possuem características geoquímicas típicas das séries ocorrentes em ilhas oceânicas mas apresentam valores de Na2O/K2O e Rb baixas, quando comparados com a maioria das outras ilhas atlânticas.

A existência de cumulados xenolíticos com espinela+ortopiroxena, a ocorrência de fenocristais de olivina+clinopiroxena+plagioclase e heterogeneidades importantes, inter e intra – «complexos vulcânicos», nas razões entre elementos incompatíveis (e. g. (La/Ce)cn=1.3-1.75; La/Nb=5-10; La/Nb= 0.5-1.1; Zr/Nb=3-6) indicam que as lavas da Madeira se geraram por cristalização fraccionada polibárica de uma gama de magmas formados por vários episódios de fusão de fonte mantélica heterogénea.

Os valores das razões Zr/Y (5-10) e (Ce/Yb)cn /9-18), o comportamento do K, Rb, e Ti e pequenas, mas consistentes, anomalias positivas de Eu, nas lavas primitivas, sugerem que granada, anfíbola e fase/s titanada/s caracterizam os resíduos mantélicos gerados durante os episódios de fusão parcial da fonte mantélica onde os valores de fO2 eram próximos dos definidos pelo tampão QFM.

As relações entre La, Ba, e Nb revelam variações, nas características composicionais mantélicas, dominadas pela mistura entre um componente enriquecido, principal, com assinatura HIMU (tipo Sta. Helena) e um componente empobrecido DMM (tipo MORB N).

Sugere-se que tais heterogeneidades resultaram de uma distribuição irregular das fases acessórias (e.g. anfíbola) na região fonte das lavas madeirenses e que reflectem episódios de enriquecimento em elementos incompatíveis, do manto sub-oceânico, em tempos anteriores à actividade vulcânica na Ilha da Madeira.

8. Problema Inverso Linear em Gravimetria: Aplicação de Mínimos Quadrados com Constrangimentos
Fernando Acácio M. Santos ; António Roque Andrade Afonso (8 páginas)
resumo: Os modelos lineares desempenham um papel relevante na interpretação da informação em geofísica, devido principalmente às facilidades de cálculo. A necessidade de introduzir, no tratamento automático da informação em gravimetria, os conhecimentos geológicos da zona em estudo, levou-nos ao desenvolvimento de uma metodologia de inversão utilizando uma aproximação de mínimos quadrados com constrangimentos, usando a inversa generalizada. Um exemplo de aplicação do método é dado com base num modelo sintético.
9. Sobre a História do Ensino da Geologia em Portugal
M. Telles Antunes ( páginas)

resumo: Após algumas considerações introdutórias, são abordados aspectos do Ensino da Geologia em Portugal através dos tempos. Escasseiam elementos acerca da época medieval, desconhecendo-se o conteúdo dos cursos incluía matérias de Geologia. Durante a Renascença, há referências a minerais em livros com enfoque principal em aplicações medicinais.Em matéria de Ensino, será de possível interesse a instauração por D. Manuel de uma cátedra de Filosofia Natural na Universidade de Lisboa. Surgiram novos elementos no início do século XVIII. São de destacar «Gabinetes» de História Natural, um dos quais de D. João V, assim como o desenvolvimento de Colégios bem equipados sob a égide, sobretudo, da Companhia de Jesus da Congregação do Oratório.

Não é possível avaliar a componente geológica do Ensino, mas não seria nula, como não o devia ser o papel das Academias. Assinalável quanto ao Ensino (para público mais vasto do que o escolar, devido à qualidade como obra de divulgação), é digna de destaque a «Recreação Filosófica» de Teodoro de Almeida (1762). Alude-se ao papel da Universidade de Coimbra após a Reforma pombalina e, em especial, ao de D. Vandelli, com primeiro livro de texto (1788) de História Natural; inclui um breve capítulo sobre Mineralogia.

Também é relevante a formação de naturalistas, notáveis na exploração científica de territórios ultramarinos e no desenvolvimento do Ensino das Geociências. O Museu da Ajuda, fundado em 1722, chegou a exercer acção de Ensino e Divulgação, mesmo sem aí ter sido concretizada a instituição de uma cátedra de História Natural. Ensino de Mineralogia foi ministrado na Aula Maynense da Academia das Ciências de Lisboa (que também organizou um Museu de História Natural).

A concessão de bolsas permitiu melhorar a preparação de José Bonifácio de Andrade e Silva, e de João António Monteiro, lentes em Coimbra. Em princípios do século XIX, as remunerações dos Professores (Lentes) eram desiguais, consoante as cadeiras. Parecem, no entanto, corresponder a um status social elevado, com nível de vida provavelmente superior ao dos homólogos de hoje. Em Coimbra, no seguimento das Reformas de 1836, a Zoologia foi destacada aparte, passando a existir uma cadeira de Mineralogia, Geognosia e Metalurgia até 1844, então modificada para Mineralogia, Geologia e Arte de Minas. Em 1837 foram criadas a Escola Politécnica (em Lisboa) e a Academia Politécnica do Porto; a Geologia era ministrada, respectivamente, na cadeia de Mineralogia, Geologia e Princípios de Metalurgia; e na de Zoologia, Mineralogia e Geologia, Metalurgia e Arte de Minas.

Em Lisboa houve importante mudança com a Regeneração – foi instituída a cadeira de Montanística, Docimásia Metalurgia entre 1854 e 1861. Em 1854 era substituída a «Introdução à História Natural» da Escola Politécnica pelo Curso de História Natural do Instituto Maynense. O Ensino era baseado em tratados correntes, sem componente significativa de trabalhos de campo; nem beneficiava da vivência da Investigação na época quase inexistente nas Escolas Superiores portuguesas. Destaca-se, no entanto, a Reforma promovida por Wenceslau de Lima em 1885, no Porto, com a separação das Geociências na 9ª cadeira (Mineralogia, Paleontologia e Geologia), e a criação da 15ª (Docimásia, Metalurgia e Artes de Minas). O ano de 1902 foi assinalado com a instauração de cursos vocacionados para o magistério nas Escolas Secundárias. Como consequência das Reformas de 1911 e a criação das Universidades de Lisboa e Porto, surgiram Bacharelatos em ciências Histórico-Naturais, convertidos (1918) em Licenciatura. As matérias de Geociências foram repartidas por várias cadeiras. A partir daquela, surgiram em 1930 as licenciaturas em Ciências Biológicas. Esta, veio a ter considerável aumento de frequência a partir da década de 1950. Houve inovação no Ensino e incremento da Investigação: em Lisboa, com F. L. Pereira de Sousa, C. F. Torre de Assunção e C. Teixeira; no Porto, sobretudo com J. Carrington da Costa; em Coimbra, com J. M. Cotelo Neiva. O Ensino da Geologia foi bem ministrado no Instituto Superior Técnico por E. Fleury e D. Thadeu. O êxito da licenciatura em Ciências Geológicas contrastou com o drástico decréscimo da frequência após a criação da Licenciatura em Geologia, com a reforma de 1964. Tinha duração acrescida para 5 anos e maiores requisitos de preparação básica. Perdeu no confronto com Cursos de Engenharia, mais competitivos. Efeito lateral foi o reflexo negativo no Ensino Secundário, com as Geociências em franca perda, até por crescente falta de Professores com preparação apropriada. A antiga componente «naturalista», útil, em particular, quanto ao Ensino Secundário, quase desapareceu. Reflexo evidente foi a decadência generalizada da disciplina de fronteira com a Biologia: a Paleontologia (e, com ela, as suas implicações estratigráficas).

Novas alterações apareceram com a Reforma de 1971. Além da actualização curricular, prestou-se melhor atenção à formação de docentes para o Ensino secundário, conferindo à Universidade essa responsabilidade. Implementou-se o Ensino pós-graduado. Após certa instabilidade, verificou-se crescente autonomia das Universidades, cujos planos de estudo se diferenciaram mais. Além das licenciaturas em Ensino, e de ramos em Ensino de Licenciaturas em Geologia, foram instituídas licenciaturas de vocação técnica predominante, nomeadamente em Engenharia Geológica – para o distanciamento relativamente à Tecnologia.

Discute-se esta problemática considerando, todavia, que haverá que esperar para ter melhor perspectiva dos resultados. A sequência cronológica dos acontecimentos mais significativos é apresentada num Quadro Sinóptico.

10. The Case of the Genus Radoiciciella, Dasycladalen Algae from the Tethyan Upeer Jurassic and Lower Cretaceous
Bruno Granier (10 páginas)

resumo: O nome do género Radoiciciella Granier 1987 é mantido em oposição ao seu «homónimo» Radoiciciella Dragastan (1971), nom. nud. Com efeito, segundo as regras do C.I.N.B. (Art. 12), «Radoiciciella » sensu O. Dragastan (1971) não pode ser conservado com um homónimo anterior de Radoiciciella Granier 1987. A diagnose do género é a seguinte «Algas verticiladas com o talo pouco calcificado e, por consequência, frágil, geralmente encontrado sob a forma de fragmentos. Ramos dispostos em quincôncio, excepcionalmente contíguos na sua parte distal, constituídas por uma ramificação primária em maço e tendo na sua extremidade distal um bouquet de ramificações secundárias (geralmente mais que 10). Os ramos comunicam com o cilindro axial por poros largos».Quatro espécies de Dasicladáceas fósseis (Likanella bartheli Bernier 1971, Griphoporella laskarevi Radoicic 1975, Rajkaella iailaensis Maslov ex Dragastan et Bucur 1988 e Rajkaella banatica Dragastan, Bucur e Demeter ex Dragastan et Bucur 1988) foram passadas para este género cuja espécie-tipo é Radoiciciella minima Jaffrezo 1973 emend Granier 1987. Os representantes deste género ocorrem nas regiões tetisianas do México à Crimeia (URSS), passando por Portugal, Espanha, França, Marrocos, Argélia, Jugoslávia e Roménia. Estes taxa são conhecidos no intervalo Kimeridgiano-Aptiano.


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