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Tomo 88 (2001)

Tomo 88 (2001)


Tomo 88 (2001)Categoria: Publicações, Comunicações Geológicas, 2000 a 2009

15.90

O preço inclui IVA à taxa legal em vigor.

Descrição

Artigos

1. Coexistence de Structures Distensives et Compressives Synsédimentaires dans les Dépôts Détritiques du Précambrien II Supérieur (Néoprotérozoique) de la boutonnière de Bou-Azzer EI Graara, Anti-Atlas, Maroc
Brahim Tekiout (8 páginas)
Palavras Chave: Precâmbrico II superior, estrutura distensiva, estrutura compressiva, sinsedimentar, falhas do bordo, pan-africano, fase B1, fase B2.
resumo: O Precâmbrico II superior (685-600 Ma) da Bou-Azzer El Graara faz parte do Neoproterozóico. Mostra depósitos detríticos com níveis vulcânicos. O estudo da geometria das estruturas sin- a pós-sedimentares permite provar: i) a persistência da compressão pan-africana ao longo do Precâmbrico II superior e, portanto, a inexistência de fase tectónica distensiva pós-B1, ii) a concomitância da compressão, a sedimentação e o jogo das falhas esquerdas que contornam e atravessam a bacia.
2. Correspondência Anotada de Carlos Ribeiro e de Nery Delgado: Contribuição para a História da Arqueologia em Portugal
João Luís Cardoso ; Ana Ávila de Melo (38 páginas)
Palavras Chave: História da Arqueologia; século XIX; Portugal; Carlos Ribeiro; Nery Delgado.

resumo: Apresenta-se a correspondência actualmente conservada no Arquivo Histórico do Instituto Geológico e Mineiro (IGM), com interesse para a história da Arqueologia em Portugal, a qual ainda não tinha sido objecto de estudo arquivístico e documental, de que se encarregou um dos autores (A. A. M.). 0 outro dos autores (J. L. C.) encarregou-se, sobretudo, da análise de cada documento, procurando-se através de breves comentários integrar as questões referidas, bem como os seus intervenientes, na respectiva época, e, dentro do possível, no âmbito das grandes questões científicas que então se discutiam. Em tal discussão, tanto Carlos Ribeiro como Nery Delgado tiveram papel dominante, correspondendo-se com os vultos, mais destacados da época: Barão de Baye; de Marsy; Barboza du Bocage; H. Howorth; H. Schliemann; Boucher de Perthes; E. Dupont; Casalis de Fondouce e Estácio da Veiga, entre outros. Avultam os documentos relativos à IX Sessão do Congresso Internacional de Antropologia e Arqueologia Pré-Hístóricas de 1880, realizado em Lisboa. O conjunto é valorizado pela existência de minutas de resposta a alguma da correspondência recebida pelos dois eminentes pré-historiadores portugueses. Transcrevem-se, ainda, na íntegra, dois documentos autobiográficos, redigidos por Nery Delgado e por Carlos Ribeiro, também inéditos.Com a publicação destes documentos, salienta-se o papel desempenhado na investigação arqueológica pelos membros da Segunda Commissão Geológica de Portugal (1857-1868), bem como pelos organismos que, com outros nomes, lhe sucederam, a Secção dos Trabalhos Geológicos de Portugal (1869-1886) e a Commissão dos Trabalhos Geológicos de Portugal (1886-1892), corporizando a chamada “Idade de Ouro” da Arqueologia Portuguesa.

3. Definição da Formação da Figueira da Foz – Aptiano a Cenomaniano do Sector Central da Margem Oeste Ibérica
Jorge L. Dinis (34 páginas)
Palavras Chave: Cretácico inferior, Portugal centro-litoral, litostratigrafia, membros, fluvial, deltaico.
resumo: Propõe-se a denominação e valor de Formação da Figueira da Foz para os depósitos que, a norte do paralelo de Nazaré, formam a base do Cretácico. É discutido o enquadramento da unidade na evolução da margem oeste ibérica, bem como apresentados a atribuição cronostratigráfica, a área-tipo e estratótipos de limites, a geometria e o conteúdo lírico. A Formação é subdividida em Membros, sendo os definidos em afloramentos baseados nas proporções de litofácies, e os definidos em sondagens da área submersa definidos com base na proporção de litótipos. Para cada membro são apresentados a área-tipo, estratótipos de limites, variações laterais e a interpretação sedimentológica e ambiental. No conjunto, a Formação corresponde a uma tendência transgressiva do Aptiano superior ao Cenomaniano superior inicial, sendo os membros correspondentes a articulações de ambientes fluviais entrançados transitando a deltas entrançados, com aumento de sinuosidade. Estes deltas ligavam-se a uma plataforma siliciclástica-carbonatada protegida e pouco profunda.
4. Estrutura Varisca na Região de Sagres: Um Exemplo de Deformação Progressiva
C. Caroça ; R. Dias (16 páginas)
Palavras Chave: Orogenia varisca; Flysch do Baixo Alentejo; Zona Sul Portuguesa; Costa Vicentina.

resumo: A deformação varisca nos sectores mais setentrionais da Formação da Brejeira, que corresponde às partes distais do Flysch do Baixo Alentejo, origina uma sequência de dobramentos com geometria em chevron. Estudos de pormenor, realizados ao longo de um corte de 6 km na zona do Cabo de S. Vicente, mostram que a estruturação principal é devida ao que podemos designar por D1 Varisca. As estruturas atribuíveis a esta fase podem ser interpretadas em termos de uma forte deformação progressiva. Num estádio precoce ter-se-ão desenvolvido dobras monoclínicas fortemente vergentes para SW; nas litologias mais pelíticas, estas dobras chegam a ser do tipo isoclinal, associadas a cavalgamentos sub-horizontais. Os encurtamentos mais tardios da estrutura, mas que ainda podem ser considerados como D1, foram conseguidos através da génese de uma série de dobras com planos axiais NW-SE, subverticais, que redobram as estruturas anteriores. As estruturas D1, terão sido geradas em condições superficiais, pelo que a clivagem está apenas restrita aos domínios mais deformados.Após este episódio tectónico, é possível evidenciar nesta região uma segunda fase de deformação varisca (D2), que ocorre ainda em condições dúcteis a semidúcteis. Esta deformação é do tipo não-penetrativo, gerando corredores de cisalhamento esquerdos NE-SW a NNE-SSW. Estes corredores de cisalhamento constituem planos de anisotropia que apresentam uma orientação favorável à sua reactivação durante a deformação alpina associada à abertura do Atlântico. Esta reactivação origina descontinuidades frágeis e com uma componente predominantemente de falha normal que afecta o Triásico que se encontra discordante sobre as formações de idade carbónica.

5. Evénements Tectoniques et Paléocontraintes Enregistrées par les Dépôts Néogènes et Quaternaires du Moyen Atlas (Maroc)
Said Hinaje ; Lahsen Ait Brahim ; Lahcen Gourari ; Mohammed Charroud (10 páginas)
Palavras Chave: Palaeostresses, criticando o tectonics, Neogene, Quaternary, Médio Atlas, Marrocos.

resumo: A análise da fracturação que afecta os depósitos neogéneos e quaternários da cadeia do Médio Atlas permite pôr em evidência quatro episódios sucessivos. O primeiro de idade valesiana, miocénica superior e pliocénica inferior corresponde a um paleocampo de tensões cujo S1 está orientado N 120-140 e S3, N 30-50, (com permuta de eixos S1– S2 e S2– S3).O segundo episódio de idade pliocénica médio-superior é caracterizado por S1 vertical e S3 orientado N 160. No Quaternário, os paleocampos são caracterizados por eixos S1 e S3 respectivamente orientados N 30 e N 120 (Quaternário antigo-médio) que rodam respectivamente para N 170 e N 80 (Quaternário médio-recente).

6. Evolution Magmatique Périgondwanienne au Passage Infracambrien-Cambrien: Exemple des Magmatites de Bou Ibenrhar-Jbel Hadid (Massif Hercynien Central, Maroc)
M. L. Ribeiro ; A. R. Solá ; M. E. Moreira ; A. Ntarmouchant; J. M. F. Ramos ; M. Ben Abbou ; H. Ezzouhairi ; A. Charif ; M. Dahire (10 páginas)
Palavras Chave: Cadeia hercínica, meseta marroquina, magmatitos, séries subalcalinas, Infracâmbrico-Câmbrico.

resumo: Na zona de Kasbat-Tadla-Azrou, pertencente à meseta marroquina, os magmatitos da região de Bou Ibenrhar-Jbel Hadid mostram composições geoquímicas variadas que vão desde os basaltos aos riólitos. Estas rochas, intercaladas entre o soco infracâmbrico e os grés quartzíticos atribuídos ao Câmbrico-Ordovícico, pertencem a duas sequências subalcalinas, relacionadas com um ambiente orogénico transicional de margem continental activa. A primeira destas sequências deriva de um manto relativamente empobrecido do tipo MORB, enquanto a segunda se gerou a partir de uma fonte menos empobrecida, traduzindo o envolvimento da litosfera subcontinental subjacente.A ausência de dados estratigráficos e geocronológicos precisos, e em presença de unia deformação intensa, várias hipóteses são consideradas para explicar a génese deste magmatismo num contexto perigonduânico.

7. Expeditions in the African Colonies During the 19th Century: Geological Contributions from Portuguese Travellers
Maria das Dores Areias (8 páginas)
Palavras Chave: África, geologia, viajantes, Portugal, século XIX.
resumo: Portugal, um país periférico no contexto político europeu, mas detendo uma posição central relativamente às suas colónias africanas, desempenhou um papel importante na investigação geológica em África. Este artigo refere-se às contribuições geológicas de duas classes de viajantes que, de uma forma ou de outra, participaram nas expedições a África durante o século XIX. Por um lado, as expedições organizadas pela Sociedade de Geografia de Lisboa, com preocupações fundamentalmente geográficas, contribuíram muitas vezes para o acumular de informações de natureza zoológica, botânica e geológica. Por outro, os “exploradores independentes” de diferentes profissões e que permaneceram em África por diferentes razões contribuíram para o desenvolvimento da geologia, enviando para a metrópole, de uma forma mais ou menos regular, exemplares zoológicos e geológicos. É o caso do naturalista austríaco Friederich Welwitsch, que trabalhou para o Governo português, Lourenço Malheiro, um engenheiro de minas ao serviço de uma empresa privada, ou ainda Freire d’Andrade, um general do Exército Português que desempenhou várias missões em África. Na metrópole, os geólogos Nery Delgado e Paul Choffat, entre outros, estudavam as amostras e os mapas que recebiam.
8. Geofísica Aplicada ao Ambiente: Objectivos, Âmbito e Alguns Exemplos
Manuel João Senos Matias (14 páginas)
Palavras Chave: Geofísica, Ambiente, Contaminação, Industrial, Lixeiras, Invasão, Salina, Cavidades.

resumo: Os métodos de prospecção geofísica têm sido usados tradicionalmente com sucesso como técnicas não invasivas de investigação do subsolo, em particular, em prospecção mineira, petróleo e gás, engenharia civil, hidrogeologia, arqueologia e outros. Mais recentemente, desde os finais da década de setenta, aqueles métodos têm sido aplicados na resolução de problemas ambientais, i.e., contaminações, localização de objectos soterrados, caracterização de locais (p.e., aterros) e monitorização. De facto, as questões ambientais têm uma natureza tri- e tetradimensional intrínseca pelo que procedimentos analíticos tradicionais, ou seja, recolha e análise de solos, sedimentos, águas e observação de poços ou furos preexistentes podem levar a conclusões menos correctas sobre as condições locais.A contribuição da Geofísica é aqui analisada e justificada quer no estudo de condições locais quer na planificação de sondagens de investigação directa, através de alguns casos (contaminação industrial, lixeiras, invasão salina, cavidades subterrâneas) demonstrando-se que a Geofísica proporciona um conjunto de técnicas expeditas, não invasivas, económicas, embora indirectas, de superior interesse na resolução de problemas ambientais.

9. GUIMAROTA – A Jurassic Ecosystem
Thomas Martin ; Bernard Krebs (1 páginas)
resumo: Em 1960 uma equipa de investigadores do Instituto de Paleontologia da Universidade Livre de Berlim, chefiada pelo Prof. W. G. Kuhne, iniciava os trabalhos de pesquisa de fósseis na antiga mina da Guimarota, nos arredores de Leiria, que explorava a lenhite dos níveis do Jurássico superior (Kimeridgiano). O interesse suscitado pelo material fóssil recolhido nesses primeiros anos, enquanto a mina ainda funcionava, levou a que, após o seu fecho, se retomasse a “exploração” do seu carvão, agora para fins unicamente científicos.
10. Le “Niveau Brun” du Toarcien Inférieur dans le Moyen Atlas Septentrional: Caractérisation, Processus de Mise en Place et Cadre Géodynamique Réglonal
A. Akasbi ; D. Sadki ; A. Akhssas ; B. Fedan (12 páginas)
Palavras Chave: Nível castanho, Toarciano inferior, Turbiditos, Cone submarino, Médio Atlas, Planalto médio-atlásico.

resumo: O “nível castanho”, datado do Toarciano inferior (Biozona Levisoni, Subzona Levisoni), aflora no Médio Atlas Setentrional. Aquela unidade mostra, lateralmente, grandes variações de espessura e de fácies.Considerando o Médio Atlas Norte-Oriental, o “nível castanho”, com carácter turbidítico, mostra sequências de Bouma, truncadas geralmente na base. São reconhecidas quatro subfácies de MUTTI & RICCI-LUCCHI (1975), e um tipo de fácies com organização caótica que resulta de deslizamento de sedimentos não consolidados. A abundância das fácies C e D pressupõe que o “nível castanho” corresponda a turbiditos distais, interrompidos momentaneamente por acumulações locais, depositados ao nível da parte externa de um leque submarino.

Estes calciturbiditos traduzem um episódio tectónico regional. Como consequência desse evento, resulta a emersão do Planalto médio-atlásico e da parte SW do Médio Atlas, onde os produtos de erosão alimentam o sector setentrional da bacia subsidente.

11. Listostratigraria do Grupo das Beiras no bordo SW da Zona Centro-lbéria, na região de Envendos-Barragem do Fratel (Portugal central)
J. Romão (14 páginas)
Palavras Chave: Zona Centro-Ibérica; Grupo das Beiras; litostratigrafia; ambiente deposicional; sistema clástico turbidítico; paleogeografia.
resumo: A sucessão do Grupo das Beiras, datada do Vendiano ao Câmbrico inferior/médio e de espessura > 2750 m, é constituída, na parte inferior, por litofácies finamente estratificadas (unidade de Lameira da Ordem/Palhota) que passam a conjuntos de metagrauvaques organizados em sequências negativas (unidade de S. Pedro de Esteval). A parte superior inicia-se por alternâncias de filitos e metagrauvaques grosseiros, por vezes microconglomeráticos (unidade de Padrão/Silveira), e termina por filitos, muitas vezes grafitosos com fosfatos, intercalados de metagrauvaques e, ocasionalmente, de rochas carbonatadas detríticas finamente estratificadas (unidade de Barragem do Fratel). Esta sucessão foi interpretada como turbidítica e é o resultado do enchimento progressivo de um leque submarino, na qual se observa uma agradação das litofácies de S para N, de talude continental para leque externo ou mesmo planície abissal.
12. Meaning of the Fractal Box-Dimension Applied to Filled Fracture Networks
Carlos Ribeiro (10 páginas)
Palavras Chave: Dimensão de caixa, veios, brechas hidráulicas, densidade de veios.

resumo: Para a caracterização da geometria fractal das redes de fracturas é frequentemente utilizado o método da dimensão de caixa.A determinação da dimensão fractal de caixa de sistemas de veios organizados em grauvaques e mármores e brechas hidráulicas em mármores mostra que objectos com complexidade distinta não conseguem ser discriminados pela dimensão de caixa. A aplicação da mesma metodologia em redes de fracturas geradas em computador, com o objectivo de não serem objectos fractais, mostra que também elas são indistintas dos exemplos naturais estudados.

A comparação da dimensão de caixa com a densidade de veios para os diferentes exemplos (naturais e gerados) mostra que existe uma covariação não linear entre os dois parâmetros.

A dimensão de caixa é um método inadequado para o estudo de redes de fracturas preenchidas quando se pretende caracterizar tais objectos do ponto de vista da geometria fractal.

13. Mecanismos e Regimes de Deformação em Rochas Metassedimentares Detríticas do Ordovícico Inferior e Médio da Zona Centro-lbérica (Portugal)
A. Mateus ; E. Dias ; C. Coke (20 páginas)
Palavras Chave: Deformação varisca; mecanismos de deformação; metassedimentos detríticos; Ordovícico inferior e médio; Zona Centro-Ibérica.
resumo: O presente trabalho visa a caracterização microstrutural de amostras representativas das sequências litostratigráficas de idade arenigiana-lanvirniana aflorantes no domínio português da Zona Centro-Ibérica nas regiões de Rabal-França, Vila Flor-Eucísia, Moncorvo-Souto da Velha, Marão (ramos Norte e Sul), Buçaco, e Portalegre-Esperança (Serras da Penha e da Pedra Torta), A heterogeneidade e partição da deformação registada pelos (micro)conglomerados, quartzitos, quartzo-pelitos e psamitos depende essencialmente: (i) da abundância e dimensão de clastos quartzosos; (ii) da calibração e organização textural primária dos sedimentos; e (iii) da natureza e predominância relativa da matriz e/ou distribuição dos minerais acessórios (filossilicatos, em particular). Os mecanismos de deformação activos em rochas quartzíticas s.l. no decurso do dobramento varisco privilegiam os processos de cedência descontínua intra- e intergranular do quartzo e/ou os mecanismos que conduzem à recristalização intergranular; nas rochas quartzo-filíticas, os mecanismos de cedência descontínua intergranular são também favorecidos em detrimento dos que conduzem a plasticidade intracristalina. Tal denota um regime de deformação que, permitindo a preservação local de microstruturas correlativas da diagénese, se desenrola globalmente sob condições de baixa temperatura (250-300ºC). A importância dos fenómenos de subgranulação e recristalização (dinâmica), documentados pelos quartzitos arenigianos da região de Portalegre-Esperança, ilustra o estabelecimento de um regime de deformação não coaxial sob valores baixos de strain rate e temperaturas variáveis entre os 350º e os 400º C.
14. Modelagem da Variabilidade Espacial de Alguns Elementos Menores em Granitos Biotíticos do Batólito das Beiras – Implicações Petrogenéticas
L. J. P. F. Neves ; M. M. Godinho (12 páginas)
Palavras Chave: Granito; biotite; elementos menores; modelagem por séries de Fourier; diferenciação magmática; interacção rocha-fluido.
resumo: Em 88 amostras de granito grosseiro porfiróide biotítico, dum sector do batólito granítico das Beiras, colhidas nos nós de uma rede de malha aproximadamente quadrada, analisam-se 16 elementos menores. A modelagem dos teores por variografia, séries duplas de Fourier e superfícies de tendência polinomiais permitem concluir que o relevo geoquímico de F, V e Pb é determinado apenas por variação aleatória local, enquanto o de Li, Sc, Cr, Ni, Cu, Zn, Rb, Nh, Sn, Cs, Ba, Ta e W é modelável por séries duplas de Fourier com 1 ou 2 harmónicas, todavia, com 12 a 81% da variabilidade devida a flutuações locais. A componente estruturada, que se traduz em tendência regional de variação, terá sido essencialmente adquirida durante a diferenciação geoquímica, a qual envolveu cristalização fraccionada, assimilação de materiais metassedimentares e hibridização entre magma granítico e materiais dioríticos preexistentes; a componente aleatória então adquirida pelo sistema foi posteriormente incrementada no subsolidus por efeito da interacção rocha-fluido, que, todavia, não ultrapassou a escala local. Apresentam-se razões para estender as conclusões sobre a biotite à própria evolução do plutonito.
15. Paleoceanographic Conditions Along the Portuguese Margin During the Last 30 ka: A Multiple Proxy Study
Fátima Abrantes ; Neven Loncaric ; João Moreno ; Mário Mil-Homens ; Uwe Pflauman (24 páginas)
Palavras Chave: Paleoceanografia, Paleoprodutividade, Portugal, Foraminíferos, Indicadores múltiplos.

resumo: A reconstrução das condições paleoceanográficas da Margem Portuguesa durante os últimos 30 14C ka é realizada através do estudo de múltiplos indicadores (Corg, CaCO3, Ba, foraminíferos planctónicos, isótopos de O e Q para 16 sedimentos superficiais colhidos por “box-core” e 4 “cores” de gravidade que constituem transectos N-S (41º-37º N) e E-W (37º 38º-37º 49º W).Os resultados obtidos para os sedimentos superficiais reflectem as condições de produtividade actuais e revelam erosão em ambos os limites superior e inferior da veia de Água Mediterrânica. Usando esses resultados como padrão estima-se que as condições de produtividade para os últimos 30 14C ka foram altamente variáveis tanto espacial como temporalmente. No Holocénico, a produtividade era mais elevada a norte (40º e 41º N). Aos 41º N os níveis holocénicos mantiveram-se durante os últimos 30 ka, enquanto a 40º N a produção decresceu entre os 20 e os 11 14C ka, ao mesmo tempo que os “cores” do Sul (37º N) registam um aumento da produção. Estes resultados contrariam a posição definida para a frente polar durante o Ultimo Glaciar Máximo (UGM) pelo grupo do CLIMAP, mas podem ser explicados pelo modelo de circulação proposto por Robison et al., 1995.

Máximos de produtividade indicados, tanto pelo aumento das espécies de foraminíferos que reagem ao afloramento costeiro como pelos valores de produção exportada estimados pela função SIMMAX 28, ocorrem a 22-20, 15-14 e 11-9 14C ka, associados às pulsações de “ice rafting” do Atlântico Norte. Níveis de produtividade semelhantes aos observados para o UGNI e que são muito provavelmente causados pela entrada de nutrientes ou da plataforma e/ou ao aumento das descargas dos rios que devem ter acontecido ao fim de cada ciclo.

16. Paul Choffat’s First Stay with the Portuguese Geological Survey (1878-1880)
Luís Teixeira Pinto (8 páginas)
Palavras Chave: Paul Choffat, Geologia, Paleontologia, Viagens, Século XIX.
resumo: Paul Choffat (1849-1919) nasceu na Suíça, onde se licenciou pela Universidade de Zurique. Tendo sido nomeado Professor de Geologia da Escola Politécnica de Zurique, investigou durante vários anos a região do Jura na Suíça e em França. Em 1878, deslocou-se a Portugal na sequência dum convite do presidente da Comissão Geológica, Carlos Ribeiro (1813-1882), a fim de realizar estudos paleontológicos. Choffat tencionava passar apenas alguns meses no país, mas acabou por permanecer em Portugal durante mais de quarenta anos, onde trabalhou corno geólogo contratado pela Comissão. Os seus trabalhos foram sobretudo nos domínios da paleontologia e estratigrafia, embora os seus interesses incluíssem também outras áreas da geologia. Este artigo trata da primeira colaboração de Choffat com a Comissão Geológica, que é característica do papel que ele haveria de desempenhar futuramente na instituição. É analisada a sua contribuição para a Comissão e argumenta-se que a sua vinda para Portugal se integra numa estratégia deliberada de Carlos Ribeiro e Nery Delgado (1835-1908) no sentido de desenvolver e internacionalizar a geologia portuguesa.
17. Polymorphic Oncoidal/cyanophyte Structures in Middle to Basal Upper Jurassic Limestones from the Lusitanian Basin, Portugal: Palaeoecological and Regional Cartographic Significance
J. M. Martins ; Ana C. Azerêdo ; G. Manuppella (28 páginas)
Palavras Chave: Oncóides ‘espongiostromados’, cianóides, pedogénese, paleoecologia, calcários do Jurássico médio-superior, Bacia Lusitânica, Portugal.

resumo: Neste trabalho, são especialmente descritas fácies ricas em oncóides/cianóides presentes nas séries do Jurássico médio a superior basal das regiões de Tomar-Alvaiázere-Sicó (Bacia Lusitânica), abordando-se também aspectos paleoecológicos e alguns outros relacionados com outro tipo de estruturas organo-sedimentares e com estruturas pedogénicas. Faz-se, igualmente, a comparação entre estas ocorrências e outras documentadas em calcários do Jurássico de outros locais da bacia, salientando-se a utilidade destes calcários oncolíticos e pedogénicos como indicadores auxiliares para a cartografia geológica regional.Dois tipos principais de litofácies são considerados: litofácies de oncóides “espongiostromados” em calcários do Dogger dos cortes de Agroal e de Bofinho (região de Tomar); e litofácies de cianóides, em calcários da base do Malm de Agroal e de Aroeira (região de Sicó). A abundância e a diversidade morfológica dos cianóides, conjugada com certas microtexturas e características pedogénicas define um tipo muito específico de litofácies ao qual é dada especial atenção. Este é um dos vários tipos de fácies característicos da formação Cabaços, que é a primeira unidade depositada acima da megadescontinuidade Dogger-Malm na Bacia Lusitânica.

18. Tectónica Regional do Sector de Caldas do Moledo-Granjão-Cidadelhe (Falha de Penacova-Régua-Verín, N de Portugal): Implicações no Controlo das Emergências Hidrotermais
J. Espinha Marques ; H. I. Chaminé ; J. M. Carvalho ; F. Sodré Borges (10 páginas)
Palavras Chave: Emergências termominerais de Caldas do Moledo, nascente termal do Poço Quente, sistemas hidrominerais, tectónica, falha de Penacova-Régua-Verín, N de Portugal.
resumo: A localização das emergências minerais de Caldas do Moledo (sulfúreas, bicarbonatadas sódicas, emergindo a temperaturas entre 46ºC e 35ºC) está intimamente relacionada com diversas características geológicas da área de descarga do sistema hidromineral. Neste contexto, foram efectuados estudos hidrogeológicos que incluíram, entre outras ferramentas, a tectónica, a geomorfologia e a geofísica da área envolvente das captações de água mineral. Deu-se especial atenção às relações geológicas entre os corpos ígneos (filões aplitopegmatíticos e pegmatíticos e o granitóide de Cidadelhe) e o encaixante metassedimentar, para se atingir uma melhor compreensão do circuito hidromineral profundo. Este estudo conduziu à identificação de uma nascente termal designada por Poço Quente (Granjão, NW das termas das Caldas do Moledo), inequivocamente relacionada com um nó tectónico e com a proximidade do contacto litológico entre as rochas metassedimentares do Paleozóico inferior e o granitóide de Cidadelhe.
19. The Amares basin: an ENE-WSW graben formed by recent reactivation of the late-Variscan fracture network?
F. O. Marques ; A. Mateus ; H. Amaral ; M. A. Gonçalves ; C. Tassinari ; P Silva ; J. M. Miranda (18 páginas)
Palavras Chave: Rede de fracturação; Cronologia; Varisco; Alpino; Graben de Amares.

resumo: Para uma melhor avaliação dos riscos de poluição, recursos e qualidade da água, e casualidades geotécnicas e sísmicas, torna-se necessário um conhecimento detalhado da rede da fracturação em Portugal. Com esta motivação em mente, procedeu-se a um estudo detalhado da rede de fracturação numa área dominada por granitos a NE de Braga, NW de Portugal.As metodologias utilizadas na detecção de fracturas incluíam a análise geomorfológica em mapas topográficos e modelos digitais de terreno, e a interpretação de lineamentos em fotografias aéreas verticais e imagens de satélite. Esta interpretação geral, seguida de caracterização estrutural detalhada no campo, revelou três sistemas principais de fracturas subverticais: duas famílias predominantes, E-W a ENE-WSW e NNW-SSE, e um sistema subsidiário N-S a NE-SW. Os preenchimentos minerais de falha mais antigos e de mais alta temperatura (sobretudo agregados de quartzo mais grosseiro, turmalina e muscovite) preservam critérios de movimento predominantemente de desligamento – esquerdo no sistema E-W a ENE-WSW, e direito nas famílias NNW-SSE e N-S a NE-SW. A idade, a geometria e a cinemática sugerem que os sistemas NNW e NNE representem os conjugados direitos variscos do sistema esquerdo E-W a ENE-WSW. As rochas de falha mais jovens e de mais baixa temperatura (normalmente, farinhas de falha muito finas) indicam um movimento dominante de “dip slip” em todos os sistemas de falhas observados.

Realizaram-se também estudos de ASM para avaliação da deformação em rochas graníticas …

20. The Deep-seated Landslide of “Praia do Telheiro” (SW Coast of Portugal)
Fernando M. S. F. Marques (18 páginas)
Palavras Chave: Escorregamentos profundos; Solicitações sísmicas; Arribas; Portugal.

resumo: Cerca de 2 km a NNE do cabo de S. Vicente, no extremo SW da costa do Algarve, as arribas, com cerca de 60 m de altura e cortadas em dolomitos do Jurássico inferior, muito resistentes, sobrepostos às margas do Hetangiano, apresentam sinais da ocorrência de um grande escorregamento que afectou cerca de 0,85 km de arriba. Neste local, no topo da arriba, existem fendas de tracção grosseiramente paralelas à face exposta, cuja abertura está provavelmente relacionada com a ocorrência do grande escorregamento. Observações e medidas no terreno, complementadas por interpretação e medidas em fotografias aéreas permitiram a reconstrução preliminar de parte da geometria da massa deslocada e do movimento que a afectou, concluindo-se que se trata de um escorregamento profundo, com Componente rotacional dominante.A retroanálise preliminar do escorregamento mostrou que, em termos de solicitações estáticas, este é apenas possível considerando as características de resistência residual das margas hetangianas, ou seja, em condições típicas para a reactivação de uma rotura preexistente e, em consequência, não compatível com a geração do movimento inicial.

Neste trabalho é feita a descrição do escorregamento e são apresentadas características geotécnicas dos materiais envolvidos. São ainda apresentados resultados de retroanálises do movimento e debatidas as suas possíveis causas e factores desencadeadores. A informação obtida sugere que o escorregamento foi provavelmente desencadeado por forte acção sísmica.

21. The Portalegre-Esperança shear zone: sinistral transcurrent transpression along the Ossa-Morena / Central-Iberian zones boundary (Northeast Alentejo, Portugal)
M. Francisco Pereira ; J. Brandjo Silva (14 páginas)
Palavras Chave: Maciço Ibérico, Limite Zona de Ossa-Morena/Zona Centro-Ibérica, transcurrente e transpressivo, cisalhamento sinistrógiro.

resumo: Na região do Nordeste Alentejano (Portugal), situada no ramo sudoeste do Arco Ibero-Armoricano, foi reconhecida uma zona transcurrente e transpressiva, referida por zona de cisalhamento de Portalegre-Esperança (ZCPE), ao longo da fronteira paleogeográfica entre as zonas de Ossa-Morena (ZOM) e Centro-Ibérica (ZCI) (Maciço Ibérico). A ZCPE representa um troço de uma importante estrutura Varisca Ibérica desenvolvida sob condições de baixo grau metamórfico sobre rochas do Neoproterozóico e Paleozóico. Este registo estratigráfico inclui o soco Neoproterozóico da ZOM (Série Negra) sobre o qual assenta em discordância as sequências sedimentares da ZCI com quartzitos Armoricanos.A análise estrutural da ZCPE permite identificar uma arquitectura tridimensional complexa que se caracteriza pela presença de: distintas texturas de deformação desenvolvidas em quartzitos e rochas quartzo-feldspáticas; foliação milonítica muito inclinada e lineação de estiramento de baixo ângulo; movimentações do tipo desligamento sinistrógiro e do tipo oblíquo (inverso ou normal) observada ao mesmo nível de afloramento, relacionadas com variações sistemáticas no mergulho da lineação de estiramento paralelamente ou perpendicularmente à direcção da zona; falhas principais e planos axiais das dobras surgem com direcção paralela ou ligeiramente oblíqua à direcção da zona; e desenvolvimento de estreitas bandas de cisalhamento separando domínios onde é preferencialmente acomodado o cisalhamento puro.

A ZCPE é interpretada corno parte de uma importante zona transcurrente e transpressiva onde a partição da deformação e o transporte paralelo à direcção do orógeno representaram processos de deformação, ao longo do limite entre a ZOM e a ZCI.

22. The Travel of Geologist Carlos Ribeiro (1813-1882) to Europe, in 1858
Vanda Leitão (8 páginas)
Palavras Chave: Carlos Ribeiro, Geologia, Paleontologia, Viagens, século XIX.

resumo: Em 1857, é criada em Portugal a Comissão Geológica do Reino, cujo objectivo primordial seria o reconhecimento geral da constituição geológica das diferentes regiões do País. Mas, à medida que avançavam os trabalhos, lamentava-se a quase total ausência de elementos de estudo, nomeadamente a não existência de colecções de referência ou de comparação, de instrumentos essenciais às observações de campo, de livros e de publicações da especialidade. Era também unanimemente reconhecida a necessidade de estabelecer relações estreitas com instituições análogas existentes ira Europa e com cientistas dos grandes centros científicos.Neste sentido, a Comissão Geológica propõe ao governo português a ida de um dos seus membros ao estrangeiro, de modo a tentar colmatar as dificuldades apontadas. É então nomeado Carlos Ribeiro (1813-1882), engenheiro militar, para se deslocar a diversos países europeus, entre os quais França, Áustria, Alemanha, Itália e Espanha. Esta missão é efectuada entre 4 de Julho e 14 de Dezembro.

O presente artigo pretende evidenciar a contribuição desta viagem científica para desenvolvimento da geologia portuguesa nos anos 50-60 do século XIX, na medida em que se estabeleceram importantes contactos com eminentes geólogos europeus que se prontificaram a auxiliar, com os elementos necessários, a uma classificação dos espécimes paleontológicos e geológicos que iam sendo recolhidos em Portugal. Por outro lado, a aquisição de instrumentos e de bibliografia especializada muito viriam a contribuir para a permanente actualização dos conhecimentos nos vários domínios das ciências geológicas.

23. The Travels of Nery Delgado (1835-1908) in the Context of the Portuguese Geological Survey
Ana Carneiro (16 páginas)
Palavras Chave: Geologia, Paleontologia, Viagens, Europa, Periferia, Séc. XIX.
resumo: Este artigo trata das viagens científicas de Nery Delgado, um ex-engenheiro militar admitido na Secção dos Trabalhos Geológicos do Reino, em 1857, altura em que o conhecimento geológico do País era pouco mais do que um esboço. Nery Delgado especializou-se no estudo das formações do Paleozóico e as suas contribuições foram reconhecidas internacionalmente. Foi presidente da Comissão Geológica de 1882 a 1908 e foi no contexto desta instituição que empreendeu três viagens ao estrangeiro. Em 1878, deslocou-se a Espanha numa missão; entre 1881 e 1882 visitou Itália, França e Alemanha, onde visitou museus, analisou colecções e discutiu questões de geologia e de paleontologia com especialistas de renome. Ainda durante esta viagem participou, em Bolonha, na reunião do Congresso Internacional de Geologia, tendo sido eleito vice-presidente. Em 1888, viajou até Londres para participar, novamente, numa reunião desta mesma organização.

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